Endocrinologista da Santa Casa de São José dos Campos alerta para o crescimento da doença e reforça que medicamentos e cirurgia devem ser indicados com critério e acompanhamento especializado

Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade chama a atenção para uma das principais crises de saúde pública da atualidade. Muito além de uma questão estética, a obesidade é uma doença crônica, complexa e progressiva, que compromete diversos sistemas do organismo e pode reduzir significativamente a qualidade e a expectativa de vida.
Atualmente, segundo pesquisa publicada na revista científica The Lancet, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo. O dado reforça a dimensão do problema, mas o impacto vai além dos números. A doença está diretamente associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, apneia do sono e doenças hepáticas, como a esteatose. Também há relação comprovada com alguns tipos de câncer, como os de mama, intestino e endométrio.
Além das complicações físicas, a obesidade pode gerar limitações funcionais, dores crônicas nas articulações, redução da mobilidade e queda na produtividade. No campo emocional, muitos pacientes enfrentam estigmatização, ansiedade, depressão e isolamento social.
“O tecido adiposo em excesso não é apenas um depósito de gordura. Ele funciona como um órgão metabolicamente ativo, que produz substâncias inflamatórias e altera o funcionamento hormonal do corpo. Isso explica por que a obesidade aumenta tanto o risco cardiovascular e metabólico”, explica o endocrinologista da Santa Casa de São José dos Campos, Dr José Eduardo Pulga.
Segundo o especialista, é fundamental compreender que a obesidade é resultado de múltiplos fatores, incluindo predisposição genética, ambiente alimentar, sedentarismo, aspectos emocionais e condições socioeconômicas. “Não se trata apenas de força de vontade. É uma doença complexa, que precisa de abordagem médica estruturada e acompanhamento contínuo”, reforça.
Tratamentos disponíveis: medicamentos e cirurgia
Nos últimos anos, medicamentos para emagrecimento ganharam destaque por atuarem no controle do apetite e na regulação metabólica. Quando bem indicados, podem auxiliar na perda de peso e na redução de comorbidades.
“No entanto, esses medicamentos não são soluções milagrosas nem devem ser utilizados por conta própria. Eles fazem parte de um plano terapêutico individualizado e precisam de acompanhamento médico para avaliação de riscos, benefícios e possíveis efeitos adversos”, alerta o endocrinologista.
Outra estratégia para casos específicos é a cirurgia bariátrica, indicada principalmente para pacientes com obesidade grave ou quando há doenças associadas que não respondem ao tratamento clínico. O procedimento pode promover perda de peso significativa e melhora de doenças como diabetes e hipertensão.
“A cirurgia bariátrica é uma ferramenta eficaz, mas não é um atalho. Exige preparo pré-operatório, avaliação multidisciplinar e mudanças permanentes no estilo de vida. Sem esse compromisso, os resultados podem não ser sustentáveis”, destaca o médico.
Prevenção: o caminho mais eficaz
Embora os avanços terapêuticos sejam importantes, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz e sustentável. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e acompanhamento médico são pilares fundamentais.
“O tratamento da obesidade vai muito além da balança. Nosso objetivo é reduzir riscos, melhorar a saúde metabólica e devolver qualidade de vida ao paciente. Quanto mais cedo houver intervenção, melhores são os resultados”, conclui o endocrinologista.
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